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22/07/2015 11h50
Diário de São Paulo consulta SEDERSP sobre o limite de velocidade nas marginais

Em reportagem publicada nesta quarta-feira, 22, sobre os novos limites de velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê, o jornal Diário de SP consultou quatro sindicatos diretamente ligados ao transporte da cidade, entre eles o SEDERSP. Veja a reportagem e a opinião de cada entidade:

Motoboys, taxistas e fretistas detonam redução nas marginais

Quatro entidades de classe, com interesses diretamente ligados aos novos limites de velocidades das marginais Pinheiros e Tietê, rebatem a redução e enxergam na decisão uma tentativa da Prefeitura de São Paulo em aumentar a arrecadação municipal.

São contrários à redução, que desde segunda-feira mudou para70km/h a velocidade máxima nas pistas expressas, 60 km/h nas faixas centrais e 50 km/h nas locais, os sindicatos dos motoboys, taxistas, motofretistas e das empresas de transporte de carga.

Ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que as mudanças no limite das marginais são um experimento e que as alterações podem ser revistas. “Essa é uma experiência que está sendo testada, já foi realizada em várias cidades do mundo. Vamos divulgar os resultados (da diminuição) porque o que interessa é a transparência. A sociedade vai acompanhando e depois poderá ou consolidar essa política ou eventualmente rever se for o caso”, afirmou. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Estadão, no Vaticano, onde houve um encontro de prefeitoscomo papa Francisco.

Pressão

O aparente recuo de Haddad ocorreu no mesmo dia em que a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional São Paulo) impetrou, na Justiça paulista, uma ação civil pública com pedido de liminar impedindo a redução de velocidade nas marginais.

Hoje, o promotor da Promotoria de Habitação e Urbanismo, Marcus Vinícius Monteiro dos Santos, responsável pelo inquérito do Ministério Público Estadual que pede explicações à Prefeitura sobre os motivos da redução de velocidade, tem reunião marcada com o diretor de Planejamento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Tadeu Leite Duarte, e com Valtair Valadão, diretor de operações da companhia.

Os dois devem entregar ao promotor estudos prévios realizados pela CET que justificaram a redução de velocidade.

Opinião:

Não quiseram nos ouvir

“Somos mais de 200 mil motoboys na cidade e ninguém da Prefeitura nos procurou para perguntar qual era a nossa opinião sobre a redução. Acreditamos que o limite de 60 km/h na pista local é o ideal. Menos do que isso não dá. A Prefeitura só pensa nos ciclistas e se esquece dos motoboys". (Gil Santos, presidente do Sindimoto-SP)

Só pensam em multar a gente

"Os engenheiros da Prefeitura se enganaram. Andar a 70 km/h na pista expressa vai atrapalhar nosso trabalho. Quero ver quando um passageiro rumo ao aeroporto de Cumbica começar a reclamar com o taxista do horário. Acreditamos que a redução na expressa deveria ter sido para 80 km/h". (Natalício Bezerra, presidente do Sinditaxi)

Será chamariz para assaltantes

"A diminuição facilitará a abordagem de ladrões de cargas. Gostaríamos de receber um estudo mostrando em qual velocidade estavam os carros que se envolveram em acidentes. Provavelmente, a maioria rodava além de
90 km/h. A Prefeitura criou uma indústria das multas". (Manoel Lima, presidente do Sindicato de Cargas – Setcesp)

Diminuição é um retrocesso geral

"A redução de velocidade na via expressa atrapalha o abastecimento da quarta maior metrópole do mundo. Parece-me uma medida arrecadatória. Defendemos a necessidade de mais investimento na educação de trânsito e na construção de passarelas". (Fernando Souza, presidente do Sindicato de Entregas Rápidas – SEDERSP)

(Reprodução do Diário de SP - Foto: Nelson Coelho/DSP)